Cyro Leãoo

Texto publicado no Jornal Pedaço da Vila – dezembro 2011

Eu tenho um sonho. Conhecer os lugares sagrados do mundo.

É novembro, noite fria e o aeroporto de Guarulhos nos recebe para embarcarmos com destino ao Egito. O agito do dia não me deixa perceber a excitação que estou e só após fazer o check-in é que a calma vai se manifestando e a emoção sendo percebida.

Egito é um sonho desde os tempos do segundo grau, onde li pela primeira vez um livro sobre esta civilização tão fantástica e misteriosa.

Somos um grupo de 23 pessoas. Num vôo direto para Istambul e conexão para o Cairo. Desembarcamos nas terras dos Faraós. É madrugada e a cidade dorme.  Seguimos direto para a Planície de Gizé  e  nosso hotel fica em frente as pirâmides. Mesmo noite cerrada, já se percebe a silueta da pirâmide.

Ao acordar, abro a janela e me deparo com as pirâmides. Não há como descrever a emoção.

Nosso primeiro contato com a cidade foi impressionante, pois estávamos entrando dentro de um outro universo e de uma cultura totalmente diferente da nossa. Nosso guia falava português, e isso foi o diferencial.

Ele nos contou a historia do seu povo, dos costumes e das tradições:

- as casas/prédios no Cairo não têm acabamento externo, pois os pais começam cedo a construir os andares de cima para que seus filhos homens possam  morar quando casar e cada um fica responsável pelo seu acabamento. As filhas , quando se casam, vão morar na casa de dos familiares de seus maridos.

- as mulheres usam as tradicionais galabyas , normalmente pretas, que cobrem seus corpos até os pés e um usam lenço para cobrir os cabelos, deixando a mostra apenas a face do rosto.  Algumas já se ocidentalizaram. Os homens usam túnicas em tons de cinza e bege.

- nas horas certas, das mesquitas soam as preces cantadas  e eles param o que estão fazendo e fazem  suas orações. Estávamos em uma  loja, quando ouvimos a chamada das orações e os atendentes livres se posicionaram  sobre um tapete,  situado no meio dos produtos e fizeram suas orações. Apenas o que nos atendia continuou seu trabalho. O respeito à religião islâmica e as tradições são muito presente.

- a população em geral é muito amável com os brasileiros e e se referem ao Brasil, usando os nomes dos jogadores de futebol. Alguns até querem moedas brasileiras como recordação.

Nossa primeira parada foi na Cidadela de Salah el Din com sua impressionante mesquita forrada de Alabastro.  Fomos ao Museu do Cairo, onde pudemos ver os achados da Tumba de Tutankamon, as estatuas de todos os tamanhos e uma infinidade de objetos dos tempos dos faraós.  O mercado do Khan el Khalili  se apresenta com várias ruas onde as lojas expõem de tudo e seus vendedores são verdadeiros artistas na negociação, onde pagar o preço sugerido é a maior ofensa.  Cuidado com as armadilhas. Se você pegar no produto, tenha certeza que irá comprá-lo, pois eles não te deixaram em paz enquanto você não pagar.

As Pirâmides são um lugar indescritível. Eu e mais algumas pessoas do nosso grupo optamos por entrar na tumba do Rei na Grande pirâmide. Incrível e assustador ver “in loco” a tecnologia utilizada por eles. Lá fizemos nossa primeira meditação. Na volta circulamos por toda a planície, vendo todas as pirâmides: as grandes (Quéops, Quéfren e Mykerions) e as das rainhas, além das tumbas de vários nobres. A Esfinge, em sua imponência e beleza aos pés das pirâmides completou o nosso passeio.

Nossa próxima etapa foi o Cruzeiro pelo Nilo. Voamos a Luxor e embarcamos num dos 320 navios que navegam pelo Nilo. São navios pequenos, com capacidade para até 150 pessoas, mas com muito conforto, luxo e boa alimentação. São hotéis flutuantes, que navegam nos levando até as cidades que tem os templos.

Luxor é uma cidade incrível. Nela pudemos conhecer dois monumentos colossais:  o templo de Karnak e o de Luxor. Os templos são ligados por uma alameda ladeada de estatuas de leões com cabeça de carneiro.

Navegando pelo Nilo conhecemos os grandiosos templos de Horus, Philae, Kom Ombo, Abu Simbel,  a represa de  Assuã,  é o maior lago do mundo.  E a Vila Núbia mantém os costumes deste povo até os dias de hoje.  Nadar no rio Nilo e andar de camelo foram outras experiências incríveis, bem como assistir o nascer e o por do sol.

Já havia estudado os Egípcios, mas o que mais me impactou foi a sua escrita,os hieróglifos, deixa nas paredes dos templos em baixo e alto relevo, dentro de uma precisão milimétrica. O mais curioso, é que duplicavam as informações nas paredes opostas  do templo e é como se fosse um espelho. De onde vem tamanha tecnologia? Quem foram os egípcios? Como construíram estes gigantescos monumentos?  Acho que nunca saberemos, mas há muito ainda a ser descoberto enterrado nas areias do deserto e debaixo de muitas casas.

Hoje em dia, o governo esta desapropriando muitas áreas urbanas que estão sobre ruínas que deverão ser exploradas pelos arqueólogos. Muitas áreas já estão abertas a visitação.

O povo egípcio passa hoje por um momento muito importante em sua história. Após 30 anos de ditadura, em fevereiro, eles descobriram que podiam falar e que suas vozes podiam ser ouvidas e conseguiram derrubar o governo. Agora estão numa transição e buscando a democracia.  Eles fazem suas manifestações na Praça Tahrir, que significa Praça da Libertação. No período que estávamos foi realizada a primeira eleição livre e os diversos partidos fizeram suas manifestações.

Apesar do tumulto noticiado, restrito a Praça Tahrir, os turistas entravam livremente no museu do Cairo, que fica situado em frente a tal praça.

Meus dedos estão inquietos, minha mente fervilhando, pois quero trazer mais e mais coisas lindas e pitorescas, mas o faremos em outra época ou vocês poderão visitar o meu site que tem uma sessão de Diário de Bordo.  www.xamaurbano.com.br

2012 vêm ai. Escolhemos a chapada dos veadeiros para passarmos este momento de transição tão importante para o planeta. Estaremos em meditação  e nos divertindo num dos mais belos locais do Brasil.

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